Acessibilidade nos Colleges do Canadá 

Cheguei um pouco mais cedo na minha sala no primeiro dia de aula do curso de educação continuada, me sentei e fiquei esperando a aula começar. Observando os outros alunos que chegavam, notei que um dos meninos usava aparelho no ouvido, nada de mais, continuei esperando e observando as pessoas entrando na sala, quando de repente entraram duas pessoas mais velhas. Eles se apresentaram ao professor como os interpretes pra um aluno na sala, e a partir daí comecei a prestar mais atenção no que estava acontecendo. Aqueles interpretes estavam ali pra transmitir a aula pra aquele aluno usando o aparelho de ouvido. Eles fizeram algumas perguntas ao professor, conversaram com o aluno e assim a aula começou, com o professor ensinando, e um interprete de linguagem de sinais para aquele aluno.

Essa prática nos colleges no Canadá não é uma novidade pra mim, inclusive eu já trabalhei com isso quando estava fazendo minha pós graduação, mas como não sei linguagem de sinais, o meu trabalho era simplesmente fazer anotações das aulas pra alunos com algum tipo de necessidades especiais. No meu caso, os alunos não precisavam se identificar, eu simplesmente assistia a aula como qualquer outro aluno e fazia anotações de tudo o que se passava durante a aula, ao final da aula, eu enviava as anotações para o setor responsável e eles enviavam para o aluno.

O meu trabalho era chamado de notetaking, e eu não precisei fazer nenhum treinamento pra conseguir trabalhar com isso, foi apenas o envio do currículo, uma entrevista rápida e um teste de digitação pra ver se eu conseguia digitar rápido, mas claro, os melhores notetakers ganhavam mais horas, e eu era uma delas.

O George Brown College, que foi o college que fiz minha pós graduação e também é o college que estou fazendo os cursos de educação continuada, dá todo apoio aos alunos com necessidades especiais, e de quebra ainda ajuda os estudantes a conseguir empregos, pois só contratam estudantes para algumas funções, as de notetaking e tutores por exemplo. Alunos com problemas mentais, dificuldade de aprendizado, defict de atenção, autismo, cegueira, surdez ou qualquer outro tipo de problema físico ou motor podem aplicar pra receber auxílio do college durante as aulas, tudo é sigiloso e é preciso preencher um formulário e apresentar documentos que provem a sua condição.

Além disso, o college é super acessível para pessoas com dificuldade de locomoção ou cadeira de rodas, com rampas, elevadores, corredores largos, banheiros, mesas e cadeiras adaptadas e muitas outras coisas pra fazer a vida dos estudantes mais fácil.

Estou falando especificamente sobre o George Brown College porque é o college que conheço melhor, mas pesquisei online e vi que tanto os colleges quanto as universidades oferecem o mesmo tipo de serviço. Pelo site, parece que não tem nenhum custo adicional para esse tipo de ajuda, e ainda por cima, alunos com algum tipo de necessidades especiais podem aplicar pra uma bolsa parcial, tanto oferecida pelo college quanto pelo governo. Todas essas informações são facilmente encontradas nos sites das instituições e caso você tenha mais dúvidas, é só entrar em contato diretamente, é só procurar por Accessible Learning Services nos sites.

No Brasil, eu estudei na PUC em Belo Horizonte, e pelo que me lembro, a faculdade não era nada acessível, o meu campus por exemplo, o do coração eucarístico tinha vários predinhos de três andares sem elevador, fora que o campus era um morro só, se eu ficava cansada de andar até minha sala no auge do meu sedentarismo, imagina uma pessoa que tem dificuldade de locomoção? Fora isso, não me lembro de ter serviços gratuitos de tutoria ou nada desse tipo. Eu posso estar enganada, ou pode ter mudado, mas eu acho que as instituições no Canadá são muito mais acessíveis a todos do que as do Brasil. O que você acha?

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