Educação Vem de Berço – A Educação dos Canadenses

Cada país tem sua cultura e características. O Canadá possui vários aspectos que todo mundo adora quando vem pra cá, e a diferença é percebida logo de cara entre este país e o Brasil. Uma das primeiras coisas que notei quando cheguei aqui foi a educação dos canadenses. Eles são extremamente educados, pedem desculpa a todo momento, mesmo quando a culpa não é deles. Costumamos brincar que a palavra “Sorry” e “excuse me” não tem mais valor, já que são usadas por eles o tempo todo, e com o tempo, até nós mesmos começamos a utilizar.

Quando andamos na rua e eles nos esbarram, pedem desculpa, quando entram na sua frente também. Quando eles espirram falam “excuse me” no sentido de ‘me perdoe por ter espirrado’. Além disso respeitam os lugares reservados para idosos, deficientes e grávidas e não jogam lixo no chão. Respeitam a faixa de pedestres (na maioria das vezes), e brigam com motoristas e ciclistas que ultrapassam sinais ou não esperam as pessoas atravessarem a rua. Ajudam a carregar coisas pesadas quando tem escadas, e são super prestativos com os idosos e mulheres com carrinhos de bebê. Por favor e obrigado são palavras constantes no vocabulário e sempre perguntam se está tudo bem, e mesmo que não queiram saber de verdade, faz nos sentirmos melhor.

Semana passada eu estava com o meu pé machucado e estava mancando andando pra casa, duas pessoas passaram por mim e perguntaram se estava tudo bem, e uma delas abriu todas as portas pra que eu pudesse passar. Se fosse no Brasil me atropelariam na correria e nem olhariam pra trás.
Me lembro de andar pelo centro de BH da última vez que fui passear lá, e senti como as pessoas são mal educadas e apressadas, elas passavam carregando meus braços, algumas vezes até trombavam de frente mesmo e nem olhavam pra ver se estava tudo bem, na minha cabeça eu só pensava: Ah, isso não acontece no Canadá, e mesmo assim eu dizia “Sorry”.

Apesar da educação em alguns aspectos, em outros eles não são tão educados assim. Eles arrotam a qualquer momento, claro, pedem desculpa (excuse me), mas preciava arrotar alto?! Também cospem na rua e não têm muito modos à mesa, comem com as mãos e falam de boca cheia. Tudo bem, isso é questão cultural, eu entendo, mas se pudessemos introduzir um pouquinho da nossa educação à mesa por aqui tudo ficaria perfeito.

Além da educação na mesa, outra coisa que no Brasil as pessoas fazem e que eu acho que deveriam fazer aqui também é se oferecer para segurar bolsas, mochilas ou objetos para a pessoa que está em pé no transporte público. Não sei se isso é comum apenas em Belo Horizonte ou se é em todo o Brasil, mas acho isso fantástico, afinal, fica difícil se segurar em pé nos ônibus quando as mãos estão ocupadas com coisas pesadas.

Enfim, educação não é apenas um fator cultural, é uma coisa que também se aprende. Meus pais me deram uma excelente educação, me ensinaram como me portar à mesa, e como me comportar em frente a pessoas em todo tipo de situação, mas aprender coisas novas nunca é demais. Eu incorporei o “Sorry” no meu vocabulário, e hoje uso essa palavra o tempo todo.

12 Comment

  1. Mariana Cimini says:

    Acho que depende da área que você mora também, por exemplo, em Toronto em cada bairro tem a predominância de pessoas de um "background" específico, e daí dá pra ver a diferença da cultura/educação. O meu prédio é bem misturado, e a maioria das pessoas cumprimenta no elevador.

    Concordo com o lugar do ônibus pra idosos, alguns não aceitam e ainda respondem afrontando que não precisam se sentar.

  2. Mariana Cimini says:

    Acho que depende da área que você mora também, por exemplo, em Toronto em cada bairro tem a predominância de pessoas de um "background" específico, e daí dá pra ver a diferença da cultura/educação. O meu prédio é bem misturado, e a maioria das pessoas cumprimenta no elevador.

    Concordo com o lugar do ônibus pra idosos, alguns não aceitam e ainda respondem afrontando que não precisam se sentar.

  3. Anônimo says:

    Infelizmente, quando uma cidade tem mais imigrantes, várias culturas se agregam e trazem o que há de melhor e pior nelas. Por isso, acho que nem sempre a (falta de) educação que se vê em Toronto deve ser vista como a educação "do canadense" (esse assunto dá muito pano pra manga). Agora, concordo sobre arrotar! Eles nem se preocupam… arrotam, pedem desculpa e é isso. Uma coisa que não gosto é que vizinhos de prédio, aqui, geralmente não se cumprimentam. Muitos entram no elevador, se encontram na laundry room, fingem que você não existe. Alguns falam "Have a good day", "have a good night", alguns conversam… mas bem menos se a gente comparar ao Brasil. Sobre dar lugar a grávida e idosos, verdade. Muitos não dão. Mas, também, no caso dos idosos eu me pergunto se isso não vem de um certo "orgulho" sentido por eles, uma vontade de ser independente e mostrar que ainda são "iguais" aos mais jovens. Várias vezes eu dei meu lugar a idosos em ônibus e metrô e eles não aceitaram.

  4. Anônimo says:

    Infelizmente, quando uma cidade tem mais imigrantes, várias culturas se agregam e trazem o que há de melhor e pior nelas. Por isso, acho que nem sempre a (falta de) educação que se vê em Toronto deve ser vista como a educação "do canadense" (esse assunto dá muito pano pra manga). Agora, concordo sobre arrotar! Eles nem se preocupam… arrotam, pedem desculpa e é isso. Uma coisa que não gosto é que vizinhos de prédio, aqui, geralmente não se cumprimentam. Muitos entram no elevador, se encontram na laundry room, fingem que você não existe. Alguns falam "Have a good day", "have a good night", alguns conversam… mas bem menos se a gente comparar ao Brasil. Sobre dar lugar a grávida e idosos, verdade. Muitos não dão. Mas, também, no caso dos idosos eu me pergunto se isso não vem de um certo "orgulho" sentido por eles, uma vontade de ser independente e mostrar que ainda são "iguais" aos mais jovens. Várias vezes eu dei meu lugar a idosos em ônibus e metrô e eles não aceitaram.

  5. Mari Cimini says:

    Na verdade aqui não tem muita fila, as pessoas vão se aglomerando até que o ônibus chegue, mas é verdade, algumas vezes quem acabou de chegar passa na frente, já aconteceu comigo de estar esperando por muito tempo e quando o streetcar finalmente chegou, as pessoas que chegaram depois entraram e eu não consegui entrar.

  6. Mari Cimini says:

    Na verdade aqui não tem muita fila, as pessoas vão se aglomerando até que o ônibus chegue, mas é verdade, algumas vezes quem acabou de chegar passa na frente, já aconteceu comigo de estar esperando por muito tempo e quando o streetcar finalmente chegou, as pessoas que chegaram depois entraram e eu não consegui entrar.

  7. Mari Cimini says:

    Já vi mesmo isto acontecer em horas de rush, realmente daria pra caprichar um pouco mais. Abraços

  8. Mari Cimini says:

    Este comentário foi removido pelo autor.

  9. Mari Cimini says:

    Acho que deveríamos introduzir a prática de segurar as bolsas e mochilas por aqui!

  10. Clairton Ferreira says:

    Em Sao Paulo e nas demais capitais brasileiras que visitei todos ajudam com sacolas no transporte publico… aqui no Canada eu detesto a falta de educacao ao nao respeitarem a fila nos pontos de onibus, voce chega primeiro, mas outros que acabaram de chegar se jogam na frente sem se perguntar sobre quem chegou ali primeiro… no mais, a educacao aqui supera a nossa!

  11. Dani Rodrigues says:

    Mari, tudo bem? Eu moro no Canada ha mais de 7 anos e concordo com vc. A unica coisa que eu nao entendo eh pq eles sao tao educados para algumas coisas mas raramente dao lugares a gravidas ou idosos nos transportes publicos… Esta eh a unica coisa que eu acho que eles poderiam "caprichar" mais. Abracos,

  12. Renata says:

    Muito legal o post! Aqui em Fortaleza também seguramos as bolsas e mochilas de quem está em pé no ônibus.

    Marcos.

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